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PF indicia quatro investigados e aponta suspeitas de compra de apoio na eleição da Mesa Diretora da ALE-RO

  • 3 de jul.
  • 3 min de leitura

A Polícia Federal concluiu o Inquérito Policial nº 0179/2019-4-DPF/VLA/RO com o indiciamento de Jean Carlos Scheffer Oliveira, Alexsandro Aparecido Zarelli, Laerte Gomes e Josimar Edvaldo Zarelli. A investigação apura suspeitas de irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), realizada em 2019.


Segundo o relatório da PF, as investigações identificaram indícios de um suposto esquema destinado a garantir apoio político para a eleição de Laerte Gomes à presidência do Legislativo estadual. Entre os elementos analisados estão interceptações telefônicas, áudios ambientais, imagens de monitoramento, documentos e depoimentos colhidos ao longo da apuração.


Um dos trechos que chamou a atenção dos investigadores é uma conversa interceptada em que um dos envolvidos é orientado a evitar determinados assuntos por telefone. No diálogo, aparece a expressão "fazer um homem", interpretada pela Polícia Federal como uma possível referência à prática de homicídio. O conteúdo foi incluído entre os elementos considerados relevantes para a investigação, sem que o relatório atribua a conversa à execução de um crime específico.


Além desse episódio, a PF afirma ter encontrado indícios da prática de crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsificação de documento público. Conforme o inquérito, parte das investigações teve origem em apurações relacionadas a supostos crimes tributários envolvendo Alexsandro Zarelli, mas as diligências passaram a abranger outros fatos.


Suposta negociação de apoio político

De acordo com o relatório, interceptações telefônicas indicam que deputados estaduais teriam negociado apoio à eleição da Mesa Diretora em troca de vantagens financeiras e indicações para cargos comissionados.

Entre os diálogos citados pela investigação está uma conversa em que o nome de Jean de Oliveira aparece associado ao suposto recebimento de valores entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, além da indicação de cargos. A pessoa que participou da conversa afirmou posteriormente, em depoimento, que o conteúdo não passava de uma brincadeira.


Reunião em hotel é apontada como peça central

Outro ponto destacado pela Polícia Federal envolve uma reunião realizada em um quarto do Hotel Larison, em Porto Velho, na véspera da eleição da Mesa Diretora.


Segundo a investigação, imagens do circuito interno de segurança mostram a entrada de parlamentares no local, reforçando a hipótese de que o encontro teria servido para definir acordos políticos relacionados à eleição da presidência da Assembleia e da composição futura da Mesa Diretora.

Em áudios interceptados, Alexsandro Zarelli também menciona que o "fechamento" do acordo teria ocorrido durante essa reunião, além de afirmar que realizaria a contabilidade de Laerte Gomes. Para a Polícia Federal, essas declarações podem indicar a existência de uma estrutura financeira paralela ligada ao grupo investigado.


Nomeação de assessor também é investigada

A investigação ainda analisa a nomeação de Josimar Zarelli para cargo comissionado na Assembleia Legislativa.

Segundo a PF, há suspeita de que a função pudesse ter sido utilizada como forma indireta de remuneração por supostos serviços de contabilidade prestados ao grupo político. Josimar confirmou que ocupou o cargo, mas negou qualquer repasse de recursos ao irmão Alexsandro.


O relatório também registra que informações obtidas durante a investigação indicariam incompatibilidade entre a presença física do servidor e os registros funcionais em determinados períodos. O investigado apresentou sua versão durante o depoimento.


Investigados negam irregularidades

Nos depoimentos prestados à Polícia Federal, os investigados negaram participação em qualquer esquema ilícito.

Alexsandro Zarelli afirmou que não participou de articulações para a eleição da Mesa Diretora e negou ter realizado contabilidade paralela. Jean de Oliveira também rejeitou a acusação de ter recebido vantagem indevida, sustentando que seu apoio à candidatura de Laerte Gomes ocorreu por decisão política.


Conclusão do inquérito

Ao concluir o inquérito, a Polícia Federal entendeu haver indícios suficientes para o indiciamento dos investigados pelos crimes de associação criminosa, corrupção passiva e peculato-desvio, entre outros fatos apurados.

O relatório foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que irão analisar as conclusões da investigação e decidir sobre os próximos desdobramentos do caso. Com informações de Tudo Rondônia

 
 
 

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