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As possíveis candidaturas de Maurício Carvalho e Expedito Neto ao Governo de Rondônia abrem a temporada de blefe em 2013

  • Foto do escritor: norte brasil
    norte brasil
  • 11 de jan.
  • 3 min de leitura

A antecipação do debate eleitoral em Rondônia para 2026 começa a produzir um fenômeno conhecido da política local: o lançamento de balões de ensaio que ganham espaço no noticiário, mas encontram dificuldade para se sustentar quando confrontados com fatos concretos, histórico recente e percepção social. É nesse contexto que surgem as eventuais postulações do deputado federal Maurício Carvalho, União Brasil, e do ex-deputado federal Expedito Netto, hoje ligado ao governo, hoje ligado ao Governo Lula, como possíveis candidatos ao Governo do Estado. À primeira vista, são movimentos que parecem ampliar o tabuleiro. Na prática, revelam mais blefe do que musculatura política real.


No caso, Maurício Carvalho, o principal ponto de tensão está na distância entre o cargo que ocupa e a liderança que efetivamente exerce. Líder da bancada federal de Rondônia, o deputado atravessa o mandato marcado por uma atuação considerada discreta, para dizer o mínimo, em temas estruturais do estado. O episódio mais emblemático dessa fragilidade é a concessão da BR-364 e a implantação do sistema de pedágio free flow, com tarifas classificadas como abusivas por ampla parcela da população. O contrato, os estudos e o modelo estavam disponíveis ao público havia meses. Ainda assim, a reação da bancada, sob sua liderança, só ganhou corpo quando a cobrança se tornou iminente e passou a impactar diretamente o bolso do cidadão.


Nesse cenário, Maurício limitou-se a publicar notas e vídeos nas redes sociais, já com o processo em curso, atribuindo responsabilidades à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao governo federal. A crítica, ainda que legítima no mérito, soou tardia. Como liderança formal dos deputados e senadores do estado, não houve registro de articulação prévia eficaz para tentar frear, revisar ou tensionar politicamente o modelo antes de sua implementação.


O contraste se torna ainda mais evidente quando se recorda que a concessão foi defendida publicamente pelo senador Confúcio Moura (MDB) durante o leilão realizado em 2025 — e que, agora, silencia diante da insatisfação popular. O resultado é um vácuo político: um defendeu e se cala; o outro reclama depois de o fato estar consumado.


Esse padrão de atuação pesa quando se projeta Maurício Carvalho como possível candidato ao Executivo estadual. Liderar um governo exige antecipação, articulação e capacidade de influenciar decisões antes que elas se tornem irreversíveis. A reação tardia no caso da BR-364 transformou-se em símbolo de uma liderança vista como protocolar e pouco combativa, especialmente em um estado onde a principal rodovia impacta diretamente a produção, a logística e o custo de vida.


Há ainda o histórico recente do clã Carvalho nas disputas majoritárias. Em 2024, Mariana Carvalho foi derrotada por Léo Moraes (Podemos) no segundo turno da eleição à Prefeitura de Porto Velho. Dois anos antes, em 2022, ela já havia sido superada pelo senador Jaime Bagattoli (PL) na disputa pelo Senado. São derrotas consecutivas que alimentam um calvário eleitoral difícil de ignorar.


Nos bastidores, parte do desgaste é atribuída à associação intensa com o bolsonarismo. Embora Jair Bolsonaro ainda mantenha uma base fiel em Rondônia, sua imagem perdeu capilaridade fora da extrema-direita. O eleitorado demonstra, cada vez mais, preferência por soluções pragmáticas e menos ideológicas , um movimento que tende a penalizar candidaturas excessivamente ancoradas no discurso identitário.


Do outro lado, a possível candidatura de Expedito Netto carrega um conjunto distinto, mas igualmente relevante, de fragilidades. Seu mandato como deputado federal pode ser classificado como regular, com potencial de crescimento que nunca se concretizou. Em vez de consolidar uma agenda robusta, Netto acabou marcado por episódios laterais e desgastes desnecessários.


Um desses episódios foi a animosidade pública com o deputado Lúcio Mosquini (MDB), a quem chegou a afirmar, em áudio, que não seria reeleito. O desfecho foi inverso: Mosquini manteve o mandato, enquanto Netto ficou pelo caminho.


Outro momento frequentemente lembrado ocorreu no plenário da Câmara dos Deputados, quando repreendeu Ciro Gomes por supostamente não usar “roupas adequadas”. A intervenção foi considerada irrelevante e rendeu mais constrangimento do que capital político. Passagens como essa ajudaram a consolidar a imagem de um mandato esquecível, sem marcas estruturais significativas para Rondônia.


Atualmente, Expedito Netto ocupa o cargo de secretário nacional de Pesca Industrial, vinculado ao Ministério da Pesca e Aquicultura do governo Lula. A partir desse novo posicionamento, surgiram especulações confirmadas por ele em conversas políticas sobre uma eventual filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) para disputar o Governo de Rondônia com apoio do presidente da República.


A hipótese, embora formalmente possível, soa desalinhada com sua trajetória política. Netto votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e jamais foi identificado como um quadro orgânico da esquerda. A leitura predominante é a de conveniência mútua: o PT busca um palanque no estado, enquanto Netto procura uma vitrine majoritária. Ainda assim, falta densidade eleitoral para que esse arranjo se transforme em algo além de um experimento político.



Fonte: Rondôniadinâmica

 
 
 

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